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A série de webinários Diálogos Brasil-Reino Unido em Saúde Digital: Desafios e Oportunidades em Telessaúde, realizada pelo Instituto Coalizão Saúde e Governo Britânico, discutiu questões fundamentais para a implementação e o aprimoramento da telessaúde no Brasil, além de tratar sobre como os dois países podem cooperar nessa questão.

Foram quatro sessões de 1h30 cada, com especialistas e lideranças brasileiras e internacionais, e divididas por temas. No dia 09 de março, a sessão 4 discutiu o Uso de Tecnologias e Serviços para Provisão da Telessaúde. Os palestrantes foram Rob Wake, Diretor da Capita Healthcare Solutions; Armando Lopes, Diretor Geral da Diagnostic Imaging e Digital Health, Siemens Healthineers América Latina; e Romeu Côrtes Domingues, Presidente Executivo do Conselho de Administração da DASA.

Os comentários foram de Bruno Pina, Diretor de Inovação da AstraZeneca; e de Donizetti Louro, pesquisador da GAESI/USP, CEO da TeleConeX Tecnologias Exponenciais e Consultor Executivo da Abimo. A coordenação e mediação ficou a cargo do Vice-Presidente do ICOS, Giovanni Cerri, também Presidente do Conselho do InovaHC;

Confira aqui a íntegra do painel:

Giovanni Cerri iniciou o debate ressaltando o “legado” deixado pela pandemia no que toca a expansão no uso de tecnologias – entre elas, as envolvidas na telemedicina e telessaúde. “Eu acho que todas as discussões que tivemos aqui, ao longo desses painéis, foram muito interessantes. Todos aprendemos bastante”.

Em sua apresentação, Armando Lopes comentou sobre uma série de sistemas que provêm dados para todo o contínuo da saúde: da promoção e prevenção ao engajamento, passando pelas etapas de diagnóstico, tratamento e reabilitação.

“Nós estamos trabalhando muito na construção de uma plataforma, cada um perseguindo isso à sua forma, que permita organizar esses dados e o fluxo de informação ao longo de todo o contínuo de saúde”, explicou Lopes, acrescentando que um fluxo inteligente de informações reduz custos, no momento em que minimiza desperdícios; e disponibiliza dados para, por exemplo, a construção de algoritmos de inteligência artificial que facilite o suporte à decisão clínica.

Para Romeu Côrtes Domingues, um dos principais ganhos com o avanço da telessaúde é levar o cuidado a áreas remotas, democratizando a saúde de qualidade – usando como exemplo o Conexa Saúde, sistema de teleconsulta que, hoje, é o mais utilizado no Brasil.

“E vimos que, em quase 80% dos pacientes atendidos, que iam para os prontos socorros e pararam de ir, você consegue [à distância] uma boa anamnese, fazer um diagnóstico, pedir um exame, e o paciente resolve a vida dele”

Domingues também ressaltou a importância de um prontuário médico estruturado e que permita a integração entre sistemas e também a outros equipamentos, como os de monitoramento de diabetes e os de acompanhamento de atividades físicas – especialmente para pacientes com doenças crônicas.

O convidado do Governo Britânico, Rob Wake, abriu sua fala destacando a intensidade dos últimos 12 meses para o sistema de saúde de seu país – “realizamos coisas que não imaginávamos ser possíveis”, afirmou – e o potencial que isso mostra para a saúde digital. “A primeira coisa é que a telemedicina está aqui para ficar. Agora temos que pensar o que fazer daqui para frente”.

Na sequência, Wake apresentou os trabalhos da Capita Healthcare Solutions, explicando que o foco dos esforços é na transformação digital para apoiar a triagem tanto na Atenção Básica quanto na Secundária. “Nosso algoritmo e expertise técnica auxiliam as decisões clínicas por meio de software multicanais que oferece suporte aos profissionais de saúde”.

Teoria e prática

Na parte dos comentários, Bruno Pina iniciou falando sobre o movimento de expansão dos players do mercado de saúde para além de seus core businesses originais, no sentido de entender as potencialidades da telemedicina. “A pergunta principal nos boards das empresas é sempre essa: ‘o que vamos fazer com isso? Vamos comprar? Vamos criar?’. Essa é uma preocupação que tenho visto em todos os players”.

Outro ponto levantado por Pina foi a jornada percorrida dentro da telessaúde: do básico ao avançado. “O básico é o que a gente precisou fazer na pandemia, a teleconsulta”, exemplificou. “Mas eu vejo um segundo passo de avanço para telediagnóstico, telemonitoramento”

Donizetti Louro acrescentou às discussões a questão do que chamou de “empoderamento médico com equipamentos ciber-físicos”. “Ou seja, nós buscamos empoderar o médico na ponta”, afirmou. “Temos mais de mil cidades [no Brasil] sem um único médico. Então, quando falamos em tecnologias pesadas, precisamos olhar um pouco para a janela e ver o que as cidades precisam para absorver tudo isso de que estamos falando”.

Louro complementou dizendo que é muito positivo discutir esses usos no ambiente acadêmico e levar propostas para a indústria, já a efetiva produção, em sua visão, não é tão simples. “Nós precisamos buscar esse equilíbrio entre o que está sendo pensado, o que está sendo produzido e o que é necessário na ponta”.