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O Instituto Coalizão Saúde completou 5 anos e irá comemorar com uma série de painéis digitais de interesse do setor e da sociedade.

O primeiro deles, realizado no dia 07 de julho, trouxe o tema “Governança e Gestão no Pós-Pandemia: Como será o sistema de saúde do futuro?”. A coordenação e mediação do debate foi do CEO do Hospital Israelita Albert Einstein, Henrique Neves.

A transmissão contou com o professor Giovanni Cerri, Vice-presidente do ICOS e Ex-Secretário da Saúde do Estado de São Paulo, como debatedor; e com a participação especial do Ex-Ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta. A CEO do ICOS, Denise Eloi, apresentou os participantes e auxiliou na coordenação do painel.

Confira aqui a íntegra do debate, disponível no canal do Instituto Coalizão Saúde no Youtube:

Qualidade na saúde

O vice-presidente do ICOS, Giovanni Cerri, abriu os trabalhos falando da atuação e do propósito do Instituto Coalizão Saúde, “um instituto propositivo”, conforme definiu. “O nosso objetivo é melhorar o acesso e a qualidade da saúde para a nossa população”.

Ao falar da história do ICOS, o Vice-Presidente lembrou também do caráter agregador da iniciativa, que reúne o setor produtivo da saúde, representado pela indústria da saúde, por prestadores de serviços, operadoras de saúde e demais instituições ligadas ao setor.

O Ex-Ministro Mandetta começou traçando um panorama histórico de pandemias que já acometeram a humanidade, com destaque para aquelas que colocaram o homem diante de um vírus mortal. “Alguns deles nós conseguimos derrotar completamente, através das vacinas, que são a maneira mais elegante e inteligente de enfrentar esses problemas”, colocou, citando a varíola, a poliomielite, a caxumba e o sarampo, e ainda esclarecendo as diferenças de transmissão e letalidade do coronavírus em comparação, por exemplo, ao H1N1.

Ainda em sua fala de abertura, Mandetta também comentou o impacto de um vírus de alta letalidade e o poder de transmissão em um país como o Brasil, com seus gargalos sociais históricos e onde boa parte da população simplesmente não consegue obedecer a medidas preventivas como a quarentena ou o isolamento social.

Ao fazer prospecções sobre o futuro da pandemia, o Ex-Ministro afirmou que devemos seguir num cenário turbulento nos meses de julho e agosto para, em setembro, “estarmos mais próximos de números típicos de países que esgotaram os seus suscetíveis”. “É quando, provavelmente, vamos chegar na fase de vacinação”.

Nesse contexto, Mandetta destacou a atuação de São Paulo, estado e município, “onde o SUS [Sistema Único de Saúde] funcionou, onde não tivemos mortes por desassistência e onde a população ajudou muito fazendo a sua parte do sacrifício”.

Questão de liderança

Ao comentar o quanto a pandemia vem testando o limite dos sistemas de saúde da sociedade, Henrique Neves submeteu cinco tópicos ao comentário dos debatedores: a capacidade para gerir crises; a musculatura do sistema de saúde para lidar com elas; a necessidade de uma indústria nacional para atender nessas circunstâncias; o preparo científico brasileiro para produzir novas respostas; e a liderança que deve existir nesse processo.

A palavra foi passada ao debatedor Giovanni Cerri que começou lembrando da ruptura sofrida pelo sistema tripartite durante a crise, com “estados e municípios buscando trabalhar juntos, enquanto o Ministério da Saúde, com a saída de Mandetta, acabou não fazendo seu papel de articulador”.

Cerri complementou dizendo que existem preocupações reais a respeito de como atender demandas reprimidas no futuro quando falamos em outras doenças igualmente importantes. “Demandas ligadas a quadros como os de câncer, de doenças cardiovasculares e de demais doenças crônicas e que acabaram sendo criadas com essa pandemia”, colocou –, equacionando a questão à desigualdade social brasileira e à falta de financiamento que devemos experimentar com a queda do Produto Interno Bruto (PIB).

O Ex-Ministro da Saúde retomou com destaque para o quinto ponto levantado por Henrique Neves, o que diz respeito à liderança. “Eu acho que as lideranças têm que estar subordinadas à ciência num momento de epidemia. O que ocorreu foi que uma liderança mostrou um caminho e outra mostrou outro caminho, nesse momento surgiu um descompasso”, disse Mandetta.