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O Instituto foi representado por sua CEO, Denise Eloi, presente na mesa virtual Diálogos para uma Agenda de Políticas para a Saúde

Abrindo a agenda de eventos do setor saúde em 2022, o evento Welcome Saúde: Perspectivas Políticas e Econômicas Pós-pandemia, realizado no formato 100% digital em 27 de janeiro, concentrou uma série de discussões com lideranças e especialistas do setor.

O Instituto Coalizão Saúde esteve presente na ocasião, participando do debate Diálogos para uma Agenda de Políticas para a Saúde, representado por sua CEO Denise Eloi. Os outros convidados foram Francisco Balestrin, Presidente do SINDHOSP e do CBEXs; Leandro Figueira, Vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed; e Carlos Alberto Pereira de Oliveira, Coordenador do Projeto “Sífilis Não”, pesquisador do LAIS/UFRN, Vice-diretor do IFHT/UERJ e Assessor Externo da OMS para a Estratégia de Aprendizagem. A moderação foi de Paulo Henrique Fraccaro, Superintendente da Abimo.

Confira abaixo a integra do Welcome Saúde 2022 – o debate Diálogos para uma Agenda de Políticas para a Saúde começa aos 38 minutos e 49 segundos.

O primeiro a tomar a palavra foi Francisco Balestrin, que respondeu pergunta acerca da viabilidade de criarmos uma agenda pública para a saúde, tendo em vista o momento político e econômico do país, agravado pela pandemia. E mais: essa agenda seria “contaminada” pelas ações realizadas em virtude da atual crise sanitária?

“Em 2020 ficou bastante clara a interdependência entre o setor público e o setor privado [na saúde]”, começou respondendo Balestrin. Por outro lado, o Presidente do SINDHOSP e do CBEXs considerou o ambiente político “inóspito” até aqui. “E digo isso porque, respondendo à pergunta, eu acho que este ano será pior, será muito difícil conseguirmos isso. O cristal está trincado, não há jeito e de colá-lo de novo. Nós precisamos de uma grande mudança”.

Denise Eloi tratou do próximo tópico: tendo em vista a importância da Atenção Primária, por que é tão difícil pensarmos uma agenda política exclusiva para ela? “Acho que devemos evitar algumas soluções isoladas”, avaliou a CEO do ICOS. “Às vezes, algumas discussões levam a uma expectativa muito grande de resposta da Atenção Primária – daí pensamos numa agenda política com foco nela. Mas, a meu ver, essas soluções isoladas só aumentam a fragmentação do sistema de saúde, e os debates acabam sendo direcionados com propostas que certamente não vão responder às demandas de saúde da população”.

Para Denise, aprimorar o modelo assistencial – sua gestão e financiamento, o desenvolvimento científico e tecnológico, a indústria e a relação entre o público e o privado –, entre outras propostas que “de fato entreguem valor ao cidadão”, deve ser o foco dessa agenda.

Carlos Alberto Pereira de Oliveira avaliou o futuro dessa pauta: em um cenário de maior estabilidade política e econômica, o orçamento da saúde, congelado por 20 anos pela Emenda Constitucional 95 durante o governo Temer, permitirá pensarmos numa agenda política? “Não sei se eu preciso de muito mais orçamento na área da saúde”, afirmou o Vice-diretor do IFHT/UERJ. “Eu acho que nós precisamos organizar o sistema de saúde e otimizar os recursos que nós temos”. Entre as ações, o especialista destacou “planejamentos potentes”, que também ajudam a combater o desperdício.

Os recursos disponíveis precisariam ser mais bem organizados ou precisamos de mais recursos? Essa foi a pergunta direcionada para Leandro Figueira, da Abramed, que iniciou sua resposta alertando para o desperdício e para a falta de recursos – pontos comuns, segundo ele, tanto ao setor público quanto ao privado. “Todos eles falam que a racionalização de recursos é necessária. Mas nós, como agentes de mudança, ainda não internacionalizamos isso”.

Sustentabilidade do sistema

Numa segunda rodada de questões, surgiram tópicos como educação da população para o conceito do serviço saúde, a reeducação dos profissionais da área, a visão da classe política sobre o setor e o uso de recursos – tanto na esfera pública quanto na privada.

“Certa vez ouvi uma síntese que achei muito interessante: nós construímos um dos melhores sistemas de saúde do mundo e esquecemos de criar um sistema de financiamento que o suporte”, começou avaliando Denise Eloi. “E eu acho que isso vale para o sistema público e para o privado”. Para a especialista, uma das pedras de toque para apurar as condições de ambos nesse sentido são os modelos de remuneração.

“Se você quer avaliar a sustentabilidade de um sistema, enxergue o seu modelo econômico. E o do sistema de saúde do país, tanto no setor público quanto no privado, deve ser revisado, e essa é uma agenda de responsabilidade nossa”.

Leandro Figueira retomou a palavra destacando o que a área privada tem de mais diferente da pública. Disciplina, capacidade de execução e protocolos mais rígidos apareceram no topo da lista. “Nós brasileiros não temos a educação para poder eleger representantes que criem uma política de Estado em saúde”.

Já no encerramento do debate, Francisco Balestrin afirmou que só será possível atingir os objetivos discutidos ao longo do encontro se todos fizermos nossas lições de casa. “Nós precisamos e pessoas que tenham compromisso com a saúde, pessoas que queiram ser essenciais para essas discussões”.

Na visão de Carlos Alberto Pereira de Oliveira o primeiro passo é a criação de um plano para saúde pública. “Algo que seja específico para o setor e que vai dialogar, transversalmente, com outros, como a educação e a segurança. Mas cada área tem seus especialistas e prioridades específicas. Precisamos de um plano político que chegue até o Congresso, mais até que ao presidente ou presidenta – esses nomeiam e tiram ministros. O Congresso nos representa”.