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As ações e políticas públicas do governo não se atinham, até recentemente, às questões de promoção e prevenção, mas sim à elaboração de políticas de proteção e recuperação da saúde, afim de atender à demanda de uma população com alto grau de vulnerabilidade social e sanitária.

A carência de consultórios médicos, postos de saúde e programas de saúde familiar, gerou uma cultura na qual a população busca os prontos-socorros e os ambulatórios hospitalares como primeira opção de atendimento. Os hospitais, no entanto, são estruturas caras, criadas para lidar com os eventos graves de saúde. Para os casos de menor complexidade, há alternativas de tratamento mais eficientes em termos de custo e igualmente resolutivas. Para que o sistema de saúde atue em rede, como deve, a população precisa ser informada das diferentes possibilidades de atendimento, evitando a superlotação dos hospitais para tratar de questões que podem ser resolvidas em postos de saúde e consultórios médicos.

Outro foco importante das políticas de promoção e prevenção deve ser a atenção às doenças crônicas.
No Brasil, é evidente a mudança do perfil epidemiológico, especialmente com o envelhecimento da população. Essa realidade, que tende a crescer, apresenta um importante impacto na morbimortalidade do país. Estima-se que uma redução em torno de 2% ao ano
 nos riscos de doenças crônicas não transmissíveis poderia aumentar o crescimento econômico em até 1% ao ano.

A educação e a informação em saúde, portanto, tornam-se um componente fundamental. E a adoção de tecnologias disruptivas podem, e devem, promover a melhoria da qualidade da assistência, além de revolucionar a relação entre os profissionais de saúde, pacientes e os centros de atendimento.

A digitalização de dados, a democratização da informação, o uso consciente de tecnologias irão proporcionar um público cada vez mais empoderado de sua própria saúde e, por outro lado, dará agilidade e precisão nas respostas por parte de gestores de saúde e dos próprios médicos. É preciso, para isso, estar aberto a inovações e saber conduzi-las em benefício da população, separando o que é desinformação do que é, de fato, educação em saúde.

As iniciativas para promoção de saúde da população vão muito além dos serviços de atenção básica. É necessário trabalhar um amplo conjunto de áreas, que contemplam estilo de vida, influências sociais, educação nas escolas e condições econômicas, entre outros. O cidadão precisa compreender que cuidar da própria saúde é, além de um direito, um dever para com a sociedade. A transversalidade das políticas constitui a base de trabalho para a melhoria da saúde da população.

Para tanto, são necessários acordos com a indústria alimentícia para mudanças nos conteúdos dos alimentos, desenvolver políticas de inserção de etiquetas nos produtos, destacando os níveis de gordura e desenvolver políticas de produção sustentável de alimentos. O engajamento da população na prevenção e cuidado com a saúde é fundamental para obter sucesso nos programas. Uma população mais consciente da importância do cuidado com a saúde, ao mesmo tempo, cobra a manutenção e o aprimoramento das políticas públicas para o setor, gerando um ciclo virtuoso para a saúde no Brasil.

Principais pontos da proposta:

1. Formalizar as políticas intersetoriais por meio de projetos e acordos de participação, aumentando a transparência, a capilaridade e a qualidade dos serviços prestados à população;
2. Divulgar o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis e seus programas de uma forma mais consistente;
3. Estabelecer programas de educação em saúde nas escolas e um programa para orientação da população sobre onde buscar atendimento em caso de eventos de saúde não emergenciais, evitando a superlotação de ambulatórios e prontos-socorros hospitalares.

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