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Painel contou com a presença do Presidente Institucional do ICOS, Claudio Lottenberg, e com pesquisador sênior e-Medicine Lab da Tallinn University of Technology Peeter Ross

O Instituto Coalizão Saúde deu sequência à agenda de saúde digital com o webinar Diálogos Brasil – Estônia em Saúde Digital: Interoperabilidade na Prática, com o objetivo de apresentar e discutir modelos de êxito em e-saúde no mundo todo. No evento em questão, conhecemos mais sobre o cenário de saúde digital da Estônia, país do norte europeu que tem a tecnologia como base de sua economia. O debate foi realizado em parceria com o Estônia Hub e teve o apoio da HL7.

A ocasião contou com a presença do Presidente Institucional do ICOS e Presidente do Conselho de Administração do Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Lottenberg; do Presidente e Diretor Executivo da HL7 e Líder de Informática Médica da CTC, Guilherme Zwicker; e do professor de e-Health e cientista pesquisador sênior de e-Medicine Lab da Tallinn University of Technology, Peeter Ross. A apresentação foi da CEO do ICOS, Denise Eloi, e a mediação ficou a cargo do CEO do Estônia Hub, Raphael Fassoni.

O primeiro a tomar a palavra foi Guilherme Zwicker, que explicou um pouco dos serviços prestados pela HL7 na área de geração e transferência de dados, e também definiu o conceito de interoperabilidade – salientando que o principal objetivo é “evitar o situações em que haja monopólios consolidados dentro de soluções proprietárias”.

“A interoperabilidade é uma saída inteligente para construção de comunidade”, afirmou Zwicker. “E ela é uma construção constante, muda conforma a sociedade, conforme os recursos técnicos que temos e conforme muda a representação do conhecimento médico. Então, muito se engana quem pensa que essa é uma solução estática. Ela é o mais alto grau de comprometimento da sociedade com a digitalização”.

Estônia digitalizada

Após uma explanação sobre o cenário da Estônia, em saúde e no mundo, apresentado por Raphael Fassoni, foi a vez do convidado internacional, Peeter Ross, compartilhar a experiência da digitalização e do cenário da saúde digital em seu país.

Um dos responsáveis pelo desenho e pela implementação da saúde digital na Estônia, a partir de 2015, Ross abordou a questão de um ponto de vista prático, começando pelo código de identificação único que cada cidadão estoniano recebe, que concentra todos os serviços online utilizados.

“É um código com 11 números, emitido pelo governo e linkado à carteira de identidade e que não abrange apenas o sistema de saúde, mas todos os serviços digitais do governo. A infraestrutura também permite o encaminhamento de dados por meio de um par de chaves: uma pública e uma privada”, explicou o professor.

Sobre o sistema de saúde, seguiu Ross, trata-se de um modelo “baseado na solidariedade”, com as taxas dos seguros de saúde pagas pelos empregadores – 13% da folha de pagamento é destinada a esse fim. Dentro dos sistemas hospitalares, há estabelecimentos públicos e privados, mas todos estão incorporados “dentro da lei pública”.

“Os clínicos gerais são empreendedores privados e tomam conta da saúde dos pacientes, buscando mantê-los o mais longe possível dos hospitais. E todos os cidadãos que possuem o código de identificação têm um registro de saúde eletrônico, prontuários que registram desde o nascimento até a morte”.

Com os dados de saúde digitalizados, não importa onde o médico esteja, ele sempre terá acesso a todas as informações necessárias para, por exemplo, escrever um prontuário ou conferir um exame. “Eu tenho todos esses dados disponíveis no meu computador”.

Segundo Ross, a implementação bem-sucedida desse sistema se deu graças a alguns elementos-chave, todos eles ligados ao diálogo aberto entre agentes da cadeia de saúde do país e à união de esforços. “Quando começamos a desenhar esse sistema, escolhemos uma abordagem de baixo para cima”, contou. “Tinha uma organização que foi responsável pela digitalização do país e um comitê supervisor com vários ministérios que criou um fundo para a saúde digital na Estônia”.

Saúde global

Claudio Lottenberg amarrou o painel com um panorama da globalização como pano de fundo para a sociedade contemporânea. “Essa globalização com o mundo digital traz uma perspectiva que me parece muito importante, no sentido de uniformizar uma linha de conhecimento e vertentes de transparência”

Para o Presidente Institucional do ICOS, esse conhecimento – segundo ele, fruto do grande volume de dados, o chamado big data – vão, de certa forma, “preencher uma lacuna importante dos sistemas de saúde que têm, dentro das suas práticas, um uso abusivo de recursos em forma de desperdício, de má prática, de baixa de qualidade e, efetivamente, de prejuízo para a sociedade”.

Para Lottenberg, estamos então diante de uma “grande ferramenta de inclusão social”. “Onde não será negado, talvez num futuro longínquo, acesso à saúde a nenhum cidadão do mundo onde quer que ele esteja”.