aretha Nenhum comentário

Tema do evento, que aconteceu de forma online e também presencial, foi “Liderança, Gestão e Inovação na Saúde”

Aconteceu, no dia 21 de outubro, o 4° Fórum de Líderes do Norte e Nordeste: Liderança, Gestão e Inovação na Saúde, realizado pelo ICOS em parceria com a HospitalMed.

Em formato híbrido, o evento recebeu presencialmente alguns palestrantes, assim como um público convidado no Auditório Beberibe, no Centro de Convenções de Pernambuco, e também contou com participações remotas de especialistas e público virtual.

Os trabalhos foram abertos pelo Presidente do ICOS, Claudio Lottenberg, que ressaltou a importância da sociedade valorizar a saúde. “Assim como o entendimento da sociedade em relação à boa pesquisa”, disse, avaliando também a evolução do papel do médico ao longo do tempo.

“Ele tinha um papel de grande observador, que utilizava, muitas vezes, de um empirismo, no sentido de atribuir às suas condutas, e que hoje trabalha através dos amplos bancos de dados, com bases de conhecimentos muito mais sólidas e, portanto, com métricas que podem conferir uma capacidade decisória de melhor qualidade”.

Confira aqui o evento na íntegra

Os palestrantes foram Giovanni Guido Cerri, Vice-presidente do ICOS e Presidente do Inova-HC da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; e Ademar José de Oliveira Paes Junior, Presidente da ACM e sócio da LifesHUB, que participaram remotamente; e Paulo Fascina, Gerente de Ecossistemas de Saúde na Boehringer Ingelheim Brasil; e Alberto Cherpak, Diretor Executivo do Hospital Santa Joana Recife, presentes no Auditório Beberibe. A mediação foi da CEO do ICOS, Denise Eloi.

Giovanni Guido Cerri iniciou sua participação informando que hoje, no Brasil, cerca de 70% da população tem acesso à internet. O que, em sua análise, é fundamental para as estratégias, em saúde, na transição para a era digital. Além disso, destacou também pontos que considera cruciais para entendermos a saúde no futuro.

“Devemos investir em cidades saudáveis”, avaliou. “As cidades hoje são um grande fator de promoção de doenças crônicas, por conta da poluição, do ruído, do estresse. Precisamos também nos centrar em decisões baseadas na criação de valores para a sociedade. Outros aspectos que eu considero muito importante são a transparência de dados e a ética. O acesso do paciente à informação, a visibilidade dos resultados no tratamento de doenças crônicas, que os diversos hospitais têm. Acho que a sociedade têm direito de conhecer essas informações”.

Guido Cerri também alertou para a importância da capacitação profissional e o potencial que a saúde digital tem para contribuir com essas formações. “Nós passamos a capacitar profissionais de outras UTIs – do estado de São Paulo e, hoje, do Brasil inteiro – e observamos a queda de mortalidade. Por isso acredito que a saúde digital é um instrumento muito adequado para capacitação profissional em larga escala, o que ajuda a reduzir a desigualdade da qualidade de saúde oferecida”.

A próxima fala foi de Ademar José de Oliveira Paes Junior, que abordou a área de inteligência de dados, ressaltando a importância desse conhecimento nos primeiros meses de pandemia, marcados por muita tensão e incertezas. “Três pontos foram iniciais naquele momento: a comunicação, a estrutura de atendimento médico-hospitalar e a inteligência de dados, para a gente entender o que estava acontecendo”.

O médico tratou também dos desafios pós-pandemia, marcado por “apagões” em áreas como a de diagnósticos, a de tratamentos e a de cirurgias. “Isso é algo que a gente precisa trazer para o debate. É uma realidade, nós temos uma redução significativa no volume de procedimentos para quadros como fibromialgia, câncer de mama, câncer de pele e câncer de próstata. E a gente pode verificar isso em várias regiões do país”.

 

Paulo Fascina trouxe uma perspectiva a partir de consequências geradas pela pandemia e também mostrou algumas boas práticas que podem ser aplicadas por diferentes agentes de saúde. Fascina voltou a março de 2021, mostrando o que chamou de fotografia do momento “em que o Instituto Coalizão Saúde e a Boehringer Ingelheim definiram que era hora de atuar”. Um momento em que se constatou a redução de 4% nas despesas da atenção primária, o que impactou programas de conscientização e tratamentos de pacientes crônicos.

“Foi quando nós, juntamente com o Instituto Coalizão Saúde, entendemos que essa realidade precisava ser combatida. E entendemos que precisaríamos de uma campanha que envolvesse os diferentes segmentos, diferentes entidades”. Surgiu dessa maneira a Coalizão Covid Coração, integrada, entre outros agentes, pelo ICOS e alguns de seus associados, como a Fundação Faculdade de Medicina, o Hospital Albert Einstein, o Hospital Sírio Libanês, a FenaSaúde, a Abrange, a Anahp, o Sindusfarma, a Abimo Sinaemo e a Abimed – além da própria Boehringer Ingelheim e do Inova-HC.

A ação foi marcada, nas redes sociais, pela #DeTodoCoração – confira conteúdo relacionado nos perfis do ICOS no Facebook e no LinkedIn.

Alberto Cherpak encerrou o primeiro painel falando sobre formas de estruturar serviços de saúde pós-pandemia. Aspectos que organizou sob os pilares “modelo assistencial” e “modelo de remuneração”.

“O modelo assistencial vigente é de uma assistência fragmentada, hospitalocêntrico – todo mundo usa o hospital como porta de entrada. E temos práticas médicas variadas, não temos protocolos bem definidos, e os resultados não são nem medidos nem divulgados”.

Sobre o eixo “modelo de remuneração”, o Diretor Executivo do Hospital Santa Joana Recife citou os benefícios da remuneração baseada em valor – pauta que o ICOS já tratou na publicação Modelos de Pagamento Baseados em Valor (acesse e/ou baixe aqui)

“A gente sabe que o modelo de remuneração muito focado em fee for service é, de certa forma, perverso e, em todos os congressos que já participei, se ouve falar em mudar o modelo de remuneração. Talvez agora isso [as tentativas de mudança] tenha, de forma geral, se intensificado e a gente consiga trabalhar isso de uma forma melhor”

Cibersegurança

Com as presenças virtuais do Diretor de Transformação Digital da Rede D’Or, Carlos Safini; e do Diretor de TI e Inovação do Hospital Sírio Libanês, Ailton Brandão; e físicas do especialista em Direito Digital (do escritório Machado Nunes Advogados), Lucas Bonafé; e do Presidente da Vertros, José Edller dos Santos, o Painel 2 debateu o tema “Saúde e Cibersegurança: Os desafios de um setor em ameaça”. A mediação foi de Denise Eloi.

Carlos Safini foi o primeiro a se apresentar explicando como a cibersegurança está relacionada à arquitetura, à distribuição, ao tamanho e às tecnologias usadas por diferentes empresas e instituições. No caso da Rede D’Or, o palestrante salientou o foco “obsessivo” na qualidade em saúde. “O nosso fundador, Dr. Jorge [Jorge Moll Filho] sempre teve esse cuidado e sempre foi uma pessoa muito envolvida com tecnologia voltada para saúde”, comentou, informando que a rede foi responsável pela importação dos primeiros equipamentos de imagem para o Brasil.

Ailton Brandão levantou a questão do chamado ataque ramsonware, em que os computadores são “sequestrados” e os dados e arquivos são criptografados. Segundo Brandão, essa prática criminosa já chegou a derrubar o sistema de 48% dos hospitais norte-americanos, em agosto de 2021. “São hackers que tentam invadir o corpo humano”, explicou. “Eles tentam invadir marcapassos, bombas de infusão em hospitais, que podem causar ataques fatais”.

O especialista destacou a importância de empresas e instituições estarem preparadas para enfrentar os que chamou de “cibercriminosos”. “Nós precisamos ter pessoas que estejam aptas a lidar com esse tipo de situação, pessoal de TI e profissionais de SI [sistemas de informação], precisamos ter os colaboradores engajados, assim com o corpo clínico. O segundo passo é ter ferramentas e processos adequados para lidar com esse tipo de desafio, desde a proteção ao acesso até questões de governança – com políticas claras e treinamentos frequentes”

Na sequência, José Edller dos Santos subiu ao palco e apresentou experiências de ataques hackers presenciados por ele mesmo. “Eu tenho visto cenários bastante complicados. A gente sabe a capacitação dos hackers, sabe que eles estão fortemente financiados e, por outro lado, a gente vê na cadeia de saúde uma fragilidade muito grande”.

Entre os pontos sensíveis citados por Edller estão a dificuldade de encontrar profissionais qualificados e também o desafio de alocar recursos para a área da cibersegurança. “A coisa chegou no nível de colocar os gestores na dúvida entre comprar novos respiradores ou adquirir um melhor firewall [dispositivos que aplicam políticas de segurança a um determinado ponto das redes]”.

Lucas Bonafé centrou sua fala em como o departamento jurídico pode atuar no contexto da segurança de informações – e deu uma preocupante informação: o Brasil está entre os cinco países no mundo onde mais acontecem ataques cibernéticos. “Investimos historicamente muito pouco em segurança, comparado com outros países, o que torna o cenário ‘perfeito’ para problemas”.

Sobre a atuação do direito nessa área, Bonafé explicou que, quando falamos em segurança da informação, “o foco não é jurídico”. “Ele tem um papel essencial revisando contratos, fazendo treinamentos internos e ajudando o compliance a cobrar a efetividade dos programas”.