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Como parte da comemoração por seus 5 anos, o Instituto Coalizão Saúde vem realizando uma série de painéis digitais para abordar assuntos de interesse do setor da saúde e de toda a sociedade.

Após o primeiro, que falou de Governança e Gestão no Pós-Pandemia: Como será o sistema de saúde do futuro? – e contou com participação especial do Ex-Ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta –, o segundo foi realizado no dia 19/08 com o tema O Impacto da Pandemia na Adoção de Modelos de Pagamento Baseados em Valor.

O evento online, realizado em parceria com a Johnson & Johnson e apoio do InovaHC, teve abertura do Presidente do ICOS, Dr. Claudio Lottenberg; do Vice-presidente da instituição e presidente do Conselho do InovaHC , Prof. Giovanni Cerri; e do Presidente da J&J Medical Devices, Gustavo Galá. A moderação foi da CEO do ICOS, Denise Eloi; e do Healthcare Transformation Officer da J&J, Fabrício Campolina.

Com apresentação da Gerente Senior Economia da Saúde da J&J, Priscila Andrade, o painel teve um time de debatedores formado pela Mentora Estratégica em VBHC na AsQ, Marcia Makdisse; pela Diretora Técnica Médica da SulAmérica, Tereza Veloso; e pela Superintendente de Economia da Saúde do Hospital Albert Einstein, Vanessa Teich. Os comentários foram do CEO do Hospital Sírio Libanês, Paulo Chapchap.

Confira a integra do painel aqui:

Na ocasião, também foi feito o lançamento do edital de chamamento, criado pelo ICOS, para submissão dos casos de sucesso que farão parte da Nota Técnica do ICOS – Jornada da Adoção de VBC no Brasil: Aprendizagens, casos de sucesso e caminhos para o futuro. Conheça a iniciativa, acesse o edital e baixe o formulário de submissão aqui.

Desafios pós-pandemia

O Presidente do Instituto Coalizão Saúde, Dr. Claudio Lottenberg, abriu os trabalhos traçando um panorama das questões mais urgentes do setor, mencionando pontos como o envelhecimento populacional e as transformações tecnológicas – tópicos de grande relevância para a saúde –, e somando a eles os desafios que deverão ser enfrentados após a pandemia, incluindo a adoção de Modelos de Pagamento Baseados em Valor. “Existe um denominador comum que, a meu ver, é o grande responsável pela insustentabilidade que vem se apresentando, até mesmo antes do período da pandemia, que são os modelos de pagamento”, avaliou.

 

“Já há muito tempo temos discutido a necessidade de trabalhar a remuneração pautada por valor, que foque em desfechos e que traga um processo de avaliação e entrega capaz de ser percebido para além de sua produtividade numérica, mas também pelo desfecho clínico, a despeito das patologias pelas quais nos procuram”.

A palavra foi então passada para o professor Giovanni Cerri que comentou a estratégia do ICOS em tornar os Modelos de Pagamento Baseados em Valor uma de suas questões prioritárias. “E já avançamos muito nisso, inclusive lançando uma publicação a respeito, mostrando a necessidade de uma mudança no modelo de pagamento e de uma valorização de um modelo de pagamento baseado em valor”.

Acesse e/ou baixe a publicação ICOS Modelos de Pagamento Baseados em Valor

Dando sequência à abertura, o Presidente da J&J Medical Devices, Gustavo Galá, discorreu sobre a pressão que os sistemas de saúde vêm sofrendo por conta da pandemia. “Isso nos leva, como líderes do setor saúde, a repensar os modelos de remuneração, na busca por alternativas mais sustentáveis para realmente termos um atendimento mais efetivo de nossos pacientes”.

A solução na prática

Após as palavras iniciais, a Gerente Sênior Economia da Saúde, J&J Medical Devices, Priscila Andrade, apresentou a palestra “Jornada da Adoção de Cuidados em Saúde Baseados em Valor no Brasil”, com números que mostram a importância de ações que levem a uma maior sustentabilidade do setor. “No Brasil, segundo um estudo do O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o desperdício em saúde representa 19,1% dos gastos”. O que equivale, ainda segundo o levantamento do IESS, a 28 bilhões de reais desperdiçados somente na saúde suplementar.

“Diante desse cenário, o cuidado em saúde baseado em valor aparece como uma das ferramentas capazes de equilibrar a equação entre desfechos e custos, entregando mais valor para os pacientes”. O debate teve início com Marcia Makdisse, Mentora Estratégica em VBHC na AsQ, avaliando o impacto da pandemia na aceleração da adoção de modelos de cuidado em saúde e pagamento baseados em valor. “A resposta à pandemia funcionou como uma alavanca poderosa de inovação”, começou Marcia.

“Em geral, a gente tinha um modelo de inovação em saúde muito voltado para novos dispositivos médicos, novas tecnologias e novos medicamentos. Com a pandemia, ficou muito claro que a gente precisa de uma inovação em modelos de atenção, de cuidado e de financiamento dessas novas soluções encontradas para enfrentar a pandemia”. A especialista afirmou ainda esperar que as “lições aprendidas com a Covid-19” sirvam para que o setor olhe para a grande população sob risco hoje: os pacientes com doenças crônicas. “Para que a gente resgate o papel da Atenção Primária como organizador desse sistema”, avaliou.

Vanessa Teich, Superintendente de Economia da Saúde, Hospital Albert Einstein, tomou a palavra com uma explanação sobre os desafios encontrados na prática no processo de implementação de cuidados em saúde baseados em valor. A transparência, segundo a especialista, está entre os pontos-chave. “Pelo que tenho visto na prática, quando existe uma pressão para mudança do modelo de remuneração, é muito por uma questão de falta de transparência nas informações”, avaliou. “Então, eu penso haver aí um meio do caminho, entre a mudança total e o modelo tradicional, que é aumentarmos a transparência nesse processo de troca de informações”.

Fabrício Campolina, Healthcare Transformation Officer da J&J, pegou o bastão da transparência, ressaltando sua importância para que possamos “avançar dentro desses modelos de remuneração baseados em valor”, e passou a palavra a Tereza Veloso, Diretora Técnica Médica da SulAmérica, convidando-a a comentar como tem sido a jornada de cuidados em saúde baseados em valor na SulAmérica e compartilhar experiências de sucesso nessa empreitada.

“Nos últimos sete anos, a SulAmérica intensificou muito seu papel como gestora integral de saúde”, começou esclarecendo Tereza. “E fez isso por meio de um projeto, que começou como um projeto de coordenação do cuidado mas hoje é o próprio modelo de operação da SulAmérica, e que coloca o paciente no centro do cuidado e se centra na entrega de valor para o beneficiário final”.

Tereza contou também que tudo isso foi possível graças a um movimento de aproximação com a classe médica. “Foram estabelecidos modelos de remuneração por performance, baseados justamente nas entregas, e na percepção e experiência do nosso usuário”.

Pertinência no cuidado e combate ao desperdício

O CEO do Hospital Sírio Libanês, Paulo Chapchap, amarrou as apresentações apontando todo o conhecimento já gerado e adquirido – em experiências tanto no setor público quando privado de saúde – como ferramenta para debater gargalos, oferecer informações relevantes à sociedade e “mudar as formas de pensar”.

“Existem alguns agentes que são fundamentais para que possamos fazer essa tão necessária transformação”, iniciou Chapchap. “O primeiro deles é o paciente, que precisa ser informado adequadamente acerca do que vem a ser a entrega de valor por parte dos prestadores de serviços em saúde. E essa entrega de valor – ao cidadão mais até do que ao paciente – começa longe do hospital, antes de a pessoa chegar até nós”.

Em seguida, o CEO lançou luz sobre o responsável pela coordenação do cuidado, apontando as operadoras como agentes “privilegiados” nesse papel. “São elas que podem, e devem, reunir todos os dados do paciente ao longo de sua ‘vida de saúde’, digamos assim, para que esse paciente seja enxergado como um todo e possa, então, receber cuidados apropriados para a sua condição clínica”.

O que nos leva, ainda segundo Chapchap, a um “alinhamento claro entre o estímulo econômico e o bom cuidado ao paciente”. “Isso porque quanto melhor esse paciente, ou esse cidadão, for cuidado menor será a sinistralidade, o gasto em saúde. Ou seja, existe um estímulo econômico muito forte para que as operadoras de saúde realizem essa integração”.

Por fim, o médico cita os prestadores de serviços e duas formas de contenção de gastos “igualmente importantes”: definir o que é pertinente no cuidado ao paciente – internações, procedimentos cirúrgicos, exames etc. –, a segunda diz respeito ao desperdício. “Como médico, eu digo que se nós formos eficientes na contenção de custos, controlando a pertinência e o desperdício, nós tornaremos os nossos serviços de saúde disponíveis para uma parcela maior da população”.

O painel digital “O impacto da Pandemia na Adoção de Modelos de Pagamento Baseados em Valor” contou ainda com intensa participação de 644 internautas que assistiram à transmissão em tempo real, enviando comentários e perguntas aos debatedores.

Confira aqui a íntegra do painel digital Governança e Gestão no Pós-Pandemia: Como será o sistema de saúde do futuro?, que teve coordenação e mediação do CEO do Hospital Israelita Albert Einstein, Henrique Neves. A transmissão contou com o professor Giovanni Cerri, Vice-presidente do ICOS e Ex-Secretário da Saúde do Estado de São Paulo, como debatedor; e teve participação especial do Ex-Ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta. A CEO do ICOS, Denise Eloi, apresentou os participantes e auxiliou na coordenação do painel.