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South America Health Education apresentou masterclass sobre saúde suplementar

O Instituto Coalizão Saúde marcou presença na edição 2021 da SAHE – South America Health Education, assinando a curadoria de uma das mais de 20 masterclasses simultâneas oferecidas pelo evento que reuniu líderes do setor e profissionais dos mais diversos segmentos da cadeia da saúde.

Presidida pela CEO do ICOS, Denise Eloi, a Masterclass Saúde Complementar reuniu três aulas:

“A sustentabilidade da Saúde Suplementar em tempos de crise”, com participação do Presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE), Renato Casarotti; da Diretora Executiva da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), Vera Valente; e do Presidente da UNIDAS Autogestões, Anderson Mendes.

“Cuidados em Saúde Baseados em Valor – o papel do estipulante”, com participação do Diretor de Transformação de Saúde Johnson e Johnson na Medical LATAM, Fabrício Campolina; e da Diretora Executiva da Laços Saúde e ex-diretora da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Martha Oliveira.

“A Saúde Digital e seus avanços na saúde suplementar”, com participação do Gerente Médico de Telemedicina no Hospital Israelita Albert Einstein e presidente da Saúde Digital Brasil, Eduardo Cordioli; e da Diretora de Relações Institucionais e Mercado na AsQ, Vilma Dias.

Denise Eloi deu início às aulas chamando a atenção para um novo recorte feito dentro tema sustentabilidade e saúde suplementar: o atual cenário em que vivemos. “Nós todos sabemos que a crise na saúde antecede a pandemia, já vínhamos com os impactos recorrentes da crise econômica, da crise política, também agravados pelas transformações demográficas e, consequentemente, pelas transformações epidemiológicas do sistema”, comentou a CEO do ICOS.

A sustentabilidade da Saúde Suplementar em tempos de crise

Renato Casarotti foi o primeiro a fazer uma avaliação do cenário atual que traz uma soma de desafios: as crises enfrentadas pelo país e o impacto da pandemia. “A gente vem buscando acomodar uma entrega de cuidado integrado e de qualidade a um custo acessível para as pessoas”, começou o Presidente da ABRAMGE. “Essa é a agenda da saúde brasileira e, em especial, da saúde suplementar”.

Durante a pandemia, seguiu Casarotti, a saúde passou a ser a preocupação número um no mundo todo, o que levou a um crescimento no número de beneficiários de planos de saúde, no Brasil. O contexto também suscitou três debates que se tornaram ainda mais importantes: incorporação tecnológica, qualidade e integração digital.

Renato Casarotti

Sobre o primeiro, o especialista apontou que a mudança está na forma como essa discussão é colocada em pauta: antes fragmentada e, em muitos casos, isolada, para hoje incorporar uma percepção de impacto sistêmico. Quanto à qualidade em saúde, o conselho do painelista é centrar na importância de definir o que ela representa no dia a dia das pessoas.

Ao falar sobre integração digital, Casarotti afirmou enxergar uma importante migração da teoria para a prática. “A gente teve que acelerar parte dessa agenda durante a pandemia, notoriamente a telemedicina, uma ferramenta que tinha muita dificuldade de se desenvolver, mas que evoluiu muito”, avaliou, informando que, na saúde suplementar, já se atingiu a margem de mais de cinco milhões de teleconsultas desde março de 2020.

Vera Valente destacou que o maior desafio é ampliar o acesso à saúde suplementar – que, hoje, está na cada do 1.7 milhão de pessoas. “Isso mostra que, mesmo na crise da Covid, as pessoas querem ter esse acesso. Então essa é uma agenda importante, até porque quando você traz as pessoas para a saúde suplementar você desonera o SUS”.

No entanto, segundo a especialista, o que se vê na prática são medidas que oneram o setor. “Com isso, consequentemente você onera o beneficiário do setor e vai expulsar usuários em vez de trazê-los”.

Vera explicou também que o Brasil passou por uma série de iniciativas legislativas que não trouxeram benefícios, e citou com o exemplo as medidas de cancelamento de reajuste, de não cancelamento de contratos inadimplentes e a PL 6330/19, que trata da incorporação automática dos antineoplásicos orais.

O que ela considera um terreno perigoso. “Por dois motivos. Um deles tem a ver com a sustentabilidade, ou seja, quando você avalia uma tecnologia, você verifica se ela trouxe benefícios comprovados ao paciente, e se o custo dela é compatível com o que o sistema pode absorver.. E o outro motivo: não vai ser eliminado só para os oncológicos orais”.

Por fim, Vera reiterou que a sociedade deve se reunir “em torno do tema do acesso”. “Saúde baseada em evidências, o que é melhor para o paciente, uma percepção de qualidade dos hospitais com indicadores… Tudo isso está na agenda da redução de custos”.

“Um outro grande ponto da pandemia é a coragem. A gene sempre pergunta ‘quanto custa fazer’, mas aprendemos quanto custa não fazer”, começou Anderson Mendes, se referindo às consequências de não se ter preenchido lacunas anteriores à pandemia.

“A integração de dados é uma delas. Uma pauta antiga e que representou um alto custo na pandemia. A gente passou pela dificuldade de encontrar leitos. É quase inadmissível, no século 21, você não saber onde há leitos desocupados. E isso nos setor público e no privado, por incrível que pareça”.

A análise de Mendes é que essas experiências fiquem como um “legado” e deu pistas dos caminhos a serem trilhados no futuro. “Acho que existem dois pilares importantes. Um deles é o do beneficiário. A gente fala de saúde suplementar olhando para as operadoras, para as clínicas, mas temos que olhar para o beneficiário, para a população em geral, que hoje é muito mais empoderada de informação, que está discutindo entrega em saúde e Atenção Primária”.

Anderson Mendes

O segundo pilar, na análise do especialista, é o alinhamento entre ação e discurso. “Nós falamos muito em sustentabilidade, em preocupação com o futuro, mas as atitudes não refletem isso. A gente não consegue ter, na prática, uma discussão madura e tentar encontrar soluções fora da agência – eu defendo muito uma autorregulação do setor”.

Cuidados em Saúde Baseados em Valor – o papel do estipulante

A segunda aula teve início com palestra de Fabrício Campolina, que começou sua fala avaliando um grande desafio: o gap entre demanda e oferta de serviços de saúde. “Com isso, a gente passa muitas vezes a ter o acesso restrito e custos muito altos. Algo que a gente viveu de uma maneira aguda durante a pandemia, e que vamos viver de maneira crônica daqui a alguns anos se nada for feito”.

Com relação ao papel do estipulante, Campolina expôs um painel de tendências baseado em alguns desafios enfrentados por esse agente, como o que chamou de inflação médica, bem mais alta do que a econômica: algo em torno de 18%.

O especialista, que compartilhou conteúdo desenvolvido pelo Grupo de Trabalhos do ICOS sobre Saúde Baseada em Valor, apresentou também a trajetória da contratação de planos de saúde. Hoje, 80% deles são coletivos e, desses, 67% relacionados a empresas. Outra evolução: antes o benefício era restrito aos departamentos de recursos humanos, hoje o tema passa a ser parte da agenda dos executivos seniores das organizações.

“E isso aconteceu por dois motivos: primeiro porque esse passou a ser um dos principais custos das empresas – 13,5% da remuneração do empregado; depois porque na medida em que se passou a prestar mais atenção aos planos de saúde se teve o entendimento de que muito mais do que uma ferramenta de atração e manutenção de talentos, essa pode ser uma ferramenta para trazer produtividade, por meio de uma equipe mais saudável”.

A conclusão é que o plano de saúde, dentro das organizações, é um tema estratégico, que mobiliza os altos escalões das empresas no sentido de gerenciar cada vez melhor esse que se tornou um dos maiores custos do universo corporativo.

Campolina também expôs a tendência, entre empresas estipulantes, de implementar programas focados em promoção de saúde e prevenção de doenças, de migrar para um modelo de financiamento pós-pago e de inserir modelos assistenciais focados em cuidados de saúde baseado em valor.

Martha Oliveira partiu da confusão que se faz hoje, em sua análise, entre acesso, qualidade e valor. “Para algumas pessoas, ter acesso é o valor. Elas não consegue nem pensar em desfecho ou qualidade. E não é verdade que isso seja uma realidade do SUS ou de planos voltados para as classes C e D. Isso é uma realidade para todas as pessoas”.

Foi esse o gancho para a Diretora Executiva da Laços Saúde avaliar os primórdios da saúde suplementar no Brasil. O serviço surgiu, segundo ela, com uma mentalidade “muito parecida com a que tem ainda hoje”.

Para Martha, rastrear o trajeto de valor vai exigir um diálogo aberto com a sociedade e com os profissionais de saúde. “Abordar o que é desfecho,  ensinar onde estão os indicadores”, avaliou. “E com os profissionais, vai ser preciso falar em avaliação, em mostra de resultados. E aí surge o papel do estipulante de uma forma muito importante. Porque, a meu ver, é ele que pode se apropriar desse saber de uma forma mais rápida e exigir que as mudanças aconteçam”.

A Saúde Digital e seus avanços na saúde suplementar

A aula três começou com uma explanação de Eduardo Cordioli sobre o início da pandemia, quando a telemedicina não era uma realidade assimilada como hoje. O resultado foi, dado o isolamento social, um apagão de diagnósticos. Ou seja, os pacientes simplesmente interromperam tratamentos e passaram a não mais realizar consultas.

“Além disso, o tempo médio entre o início dos sintomas e a chegada ao hospital aumentou 30 minutos”, revelou Cordioli.  No entanto, desde 2016 o Hospital Israelita Albert Einstein já tinha “a telemedicina direta ao paciente bem estabelecida”. “Desde 2017, nós já tínhamos clientes privados com acesso ao nosso pronto atendimento digital.”.

Ao mostrar gráficos relacionando o número de casos ligados e não ligados ao coronavírus, Cordioli mostrou que o paciente descobriu a telemedicina por conta da então nova doença, a Covid19. No entanto, com o tempo, o número de consultas não ligadas ao vírus seguiu em crescimento, enquanto os atendimentos remotos ligados à Covid estacionou. “O paciente descobre a telemedicina por causa do coronavírus, mas continua usando [a telemedicina] para outras coisas”.

“Nada supera o conforto da sua casa, você ser atendido onde você está”, sentenciou o palestrante ao defender a evolução da telemedicina mesmo num cenário de pós-pandemia. “O fato de você evitar deslocamento e rapidamente chegar aonde você precisa é o grande fator de impacto no nível de experiência”, avaliou.

Vilma Dias também abordou a era digital e seus avanços na saúde suplementar. “A saúde 5.0 já é uma realidade”, começou. “E as empresas precisam estar dentro desse processo. O crescimento [da tecnologia] torna-se exponencial e assim gera-se uma boa economia”.

Apresentação de Vilma Dias

Para a especialista, quando adentramos a digitalização partimos para a disrupção – seja ela incremental ou inovadora. Além disso, o avanço das ferramentas tecnológicas também traz o benefício da democratização, ou seja, quando mais difundida e utilizada mais acessível para as pessoas. “O mundo digital na saúde suplementar também passa por essas fases. E o beneficiário, o usuário final, precisa desse processo de adaptação”.

O que, segundo sua análise, exige de quem disponibiliza as ferramentas digitais. A lição número 1 é entender o perfil das pessoas para as quais está se disponibilizando a tecnologia – como se dá esse acesso, como treinar novos usuários, como conduzir esse processo de adaptação. “Seja para os profissionais que vão fazer uso das ferramentas quanto para o beneficiário”.