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Evento online teve presença de lideranças do setor saúde do Brasil e da Inglaterra

O Instituto Coalizão Saúde, em parceria com a Academia Nacional de Medicina (ANM), realizou, no final de abril, o painel online Saúde Digital no Brasil: Desafios e Oportunidades – evento que contou com o apoio do Governo Britânico.

Os trabalhos foram iniciados pelo Acadêmico Rubens Belfort Jr., Presidente da ANM, e contou também com fala do Presidente do ICOS, Claudio Lottenberg. A coordenação foi dos acadêmicos Giovanni Cerri, Vice-Presidente do ICOS, e Fabio Jatene. Confira ao final do texto a lista completa dos convidados.

Giovanni Cerri começou falando sobre a aceleração do uso de tecnologias na saúde durante a pandemia e abriu as discussões acerca de como a condução e a evolução dessas ferramentas deverão se dar num futuro pós-pandêmico. “É um desafio muito grande e, nesse aspecto, é muito importante a realização de um evento como esse, que reúne experiências muito interessantes”.

Fábio Jatene complementou, destacando a oportunidade de um maior entendimento sobre como vem se dando o avanço da saúde digital. “Nós vamos ter a chance de discutir como isso está avançando do ponto de vista administrativo mas também ético”, anunciou.

Em sua fala, Claudio Lottenberg lembrou da importância da sustentabilidade no setor e o caráter social da saúde. “Nós sabemos que hoje grande parte do que observamos na área da saúde traz uma visão de desperdício. O que a saúde digital traz é justamente a transparência”.

Na visão de Lottenberg, a telemedicina oferece um “desafio enorme num país como o Brasil”. “Nós não conseguiríamos dar vasão as necessidades de todo o país de maneira presencial”. E-mails, web services e chats foram alguns meios de contato que o Presidente do ICOS destacou como possíveis na condução da telessaúde.

A importância da ética

Diretora de uma unidade de Atenção Básica, no Reino Unido, Dra. Minal Bakhai falou sobre a resposta digital à Covid-19 no Serviço Nacional de Saúde (National Health Service – NHS), no qual, em resposta à pandemia, foi adotada a prática de atendimento remoto para a triagem de todos os pacientes. “Para apoiar isso, todos foram convocados a  implementar um sistema de consulta online e de vídeo”, explicou.

Donizetti Giamberardino Filho, do Conselho Federal de Medicina, apresentou um panorama desse cenário no Brasil e o impacto exercido pela pandemia – que acabou por acelerar a liberação da prática das teleconsultas. “A telemedicina é um ato complementar da medicina. Seus benefícios estão nas mãos de quem a opera”, ponderou levantando os desafios e as oportunidades da saúde digital no Brasil. “Por um lado, temos um país com dimensão continental, temos desigualdade social e dificuldade de acesso à internet. Mas, por outro, temos a chance de aumentar o acesso da população às necessidades de saúde, a integração da rede de assistência e a racionalização de recursos”.

Tratando do tema “A Telessaúde no Brasil e o Acesso à Saúde: Presente e Futuro”, o gestor da Clínica Salute e ex-secretário da Atenção Primária do Ministério da Saúde, Erno Harzheim, iniciou sua fala dizendo que “nem deveríamos chamar de telemedicina” essa prática, dando como exemplo outras práticas remotas que não ganham esse prefixo “tele”. “A gente não vive mais no mundo do século 20, temos que entrar no século 21, que é permeado por tecnologia e comunicação”, afirmou, chamando também a atenção para a questão da proteção de dados – e cintando o Marco Legal e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). “O resto, para mim, está no código de ética médico”, sintetizou.

Chao Lung Wen, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), pegou o gancho de Harzheim afirmou que “não adianta termos inúmeros recursos e vantagens se não tivemos a ética”, enfatizando ainda que a telemedicina é uma ferramenta e não um método. “Há padrões mínimos internacionais propostos [para a prática]”, lembrou. “Suas funcionalidades devem considerar riscos e soluções, o controle de qualidade deve permear todo o processo e não há espaço para improvisos”.

Cenário da telessaúde no Brasil

O próximo a se apresentar foi o engenheiro Marco Bego, do InovaHC, que mostrou um panorama da evolução do telemonitoramento no Brasil, que passou a ser regulamentado a partir da Resolução 1643, de agosto de 2002. “São tecnologias que permitem o monitoramento de atividades físicas  comportamentos humanos, bem como parâmetros fisiológicos e bioquímicos durante a vida diária”, definiu, informando que hoje esses sensores podem ser também “vestíveis” – os chamados wearables, como óculos, luvas e relógios – ou até mesmo invisíveis, incorporados em cadeiras e colchões.

“A Telereabilitação em Tempos de Covid-19” foi o tema abordado por Linamara Battistella, também professora da FMUSP, que tratou das incapacidades geradas por doenças crônicas em todo o mundo. “Ou seja, falar em reabilitação é algo bastante anterior à Covid-19”, disse, ressaltando a razões para se inovar constantemente na assistência – entre elas, os benefícios principalmente para determinados públicos, como as crianças e as pessoas com problemas de mobilidade. “ A telereabilitação é uma realidade absolutamente presente no mundo inteiro quando nós falamos de doenças crônicas”

Para Carlos Carvalho, do Incor e Hospital das Clínicas da FMUSP, a pandemia “estimulou e acelerou a saúde digital de forma geral”, segundo afirmou ao tratar do tema “Telessaúde para casos respiratórios graves – Projeto TeleUTI”. Em sua fala, Carvalho trouxe números do projeto, iniciado em março de 2020 e que, até abril de 2021, já tinha chegado a até mais de 24 hospitais públicos e atendido a 1.238 pacientes.

O psiquiatra Eurípedes Constantino Miguel Filho, também da FMUSP, falou de “Saúde Digital e a Telepsiquiatria”, e trouxe projetos desenvolvidos pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em parceria com instituições de saúde do Brasil e de fora. Entre eles, o Centro Nacional de Ciência e Inovação em Saúde Mental, uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Grupo UniEduk e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

A visão do mercado

O acadêmico Fabio Jatene tratou de “Telecirurgia no Brasil”, levantando seu histórico desde o ano 2000, quando o primeiro procedimento do gênero foi realizado no Brasil (o terceiro no mundo), pela equipe do Hospital Sírio-Libanês, com um comando à distância do robô AESOP. “Hoje, no Brasil, nós temos 75 equipamentos instalados e temos a 9ª posição de maior capacidade instalada no mundo – que majoritariamente está na rede privada, mas já começam em alguns serviços públicos, como o Icesp [Instituto do Câncer do Estado de São Paulo]”, informou.

O “Uso de Tecnologias e Serviços para Provisão da Saúde Digital” foi tema tratado por Romeu Côrtes Domingues, do Grupo DASA, e por Armando Lopes, da Diagnostic Imaging e Digital Health Siemens Healthineers. Domingues avaliou que a saúde digital, por meio de suas múltiplas ferramentas, “melhora consideravelmente o engajamento de pessoas com doenças crônicas e várias comorbidades, trazendo mais benefícios para a saúde”. Lopes finalizou as apresentações falando sobre o benefício da digitalização e de que forma ela suporta e alavanca a área da saúde. “A digitalização traz esse benefício em todo o contínuo da área de saúde”, avaliou. “Suportando todos os estágios: da promoção de saúde e prevenção até o engajamento, passando pelo diagnóstico, tratamento e reabilitação”.

Confira abaixo a lista completa dos convidados (em ordem alfabética):

Dr. Armando Lopes – Diagnostic Imaging e Digital Health, Siemens Healthineers

Dr. Carlos Carvalho – Incor e Hospital das Clínicas da FMUSP

Dr. Carlos Eduardo Brandão (ANM)

Dr. Chao Lung Wen – FMUSP

Dr. Claudio Lottenberg – Presidente do ICOS

Dr. Donizetti Giamberardino Filho – CFM

Dr. Erno Harzheim – Gestor Clínica Salute e ex-secretário da Atenção Primária do MS

Dr. Eurípedes Constantino Miguel Filho – FMUSP

Dr. Fabio Jatene (ANM)

Dr. Giovanni Cerri – Vice-Presidente do ICOS

Dr. Glaciomar Machado (ANM)

Dr. Paulo Hoff (ANM)

Dr. Romeu Côrtes Domingues – DASA

Dr. Rubens Belfort Jr. – Presidente da Academia Nacional de Medicina

Dra. Linamara Battistella – FMUSP

Dra. Minal Bakhai – NHS England e NHS Improvement

Eng. Marco Bego – InovaHC