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Confira a integra do artigo publicado por Claudio Lottenberg, presidente do Instituto Coalizão Saúde, no jornal O Tempo, de Minas Gerais, tratando do tema telemedicina.

Chame um médico!

Por Claudio Lottenberg

Quem nunca ouviu essa frase e sentiu um alívio ao ver o médico? Agora, pense em uma inovação que permita acesso muita mais fácil a um serviço essencial e que pode chegar a quem vive em locais remotos ou tem dificuldades de locomoção? A telemedicina é um avanço a ser festejado por todos, pois proporciona uma alternativa de atendimento ao paciente de forma rápida, eficiente, cômoda e segura

A telemedicina oferece a chance, antes restrita a poucos, de ser atendido por um médio que segue as melhores práticas assistenciais e que, se julgar necessário, indicará o paciente para um atendimento presencial. Ele gera inclusão ao encurtar distâncias.

O atendimento virtual é um modelo de sucesso no mundo todo, tanto que a lista de países que o utilizam para melhorar e ampliar o alcance de seus sistemas de saúde é grande. Canadá, Malásia, Estados Unidos, Japão e Israel são alguns. Para quem quiser se aprofundar, vale conhecer o trabalho do Moma (centro de saúde fundado em 2012 pela Maccabi HealthCare Services, em Israel), que já atendeu mais de 20 mil pessoas e evitou idas desnecessárias ao pronto-socorro ou ajudou na aplicação de um medicamento.

Nos Estados Unidos, é possível agendar e pagar uma consulta por aplicativo e conversar com um médico em tempo real. Há dispositivos para diversos fins, como para medir a pressão arterial ou para facilitar a coordenação do cuidado a distância – como o projeto desenvolvido com foco nos veteranos de guerra (CCHT, na sigla em inglês).

A literatura médica também comprova a eficácia da telemedicina: há milhares de estudos, de profissionais de diversas especialidades. Cito, como exemplo, o de 2018, feito por Poon SJ, Schuur JD e Mehrotra A, de Harvard, que verificou uma queda de 89 para 57 visitas a cada 1.000 membros nos serviços de emergência entre 2008 e 2015. Em paralelo, houve aumento substancial no uso de alternativas, como a telemedicina.

E os avanços não param. O envelhecimento da população, a necessidade de maior mobilidade e a crescente apropriação tecnológica – eram 4,1 bilhões de pessoas conectadas no mundo no fim de 2018 – abrem espaço para a adoção de novas ferramentas. Elas universalizam o acesso a serviços, criam empregos e atendem anseios. Assim como toda nova tecnologia, a telemedicina gera uma conversa importante e fundamental. Como médico, como paciente e como responsável por uma das maiores empresas de saúde do país, aprovo o seu uso para avançar em equidade, universalidade e integridade na saúde brasileira.

Claudio Lottemberg é mestre e doutor em oftalmologia; presidente do UnitedHealth Group Brasil e do Instituto Coalizão Saúde

Reprodução de artigo publicado no Jornal O Tempo, de Minas Gerais, em 13 de julho de 2019